terça-feira, 17 de novembro de 2009

Vontades

Eu adoro conversar.
A troca de informações, de questionamentos, de concordâncias; o diálogo de olhares, gestos, sorrisos é uma coisa que me fascina. Durante toda a vida, a gente molda uma série de signos que definem nossa personalidade, mas que adquirimos com todas as outras pessoas que passam por nós; sou uma planaridade em processo (eterno) de acabamento, formada por vários fragmentos. Somos assim. É necessário que a gente se comunique pra se recriar.
Eu adoro ficar em silêncio.
É nos silêncios que nos encontramos mais sinceramente. É na falta de fala que a gente planeja o que vai falar, porque a cabeça nunca pára de pensar.
Algumas pessoas não entendem isso e questionam o porquê do silêncio e eu não sei explicar, porque...preciso estar em silêncio. Preciso não saber dizer, preciso estar na etapa da construção. Não sou menos feliz por não sorrir quando não quero, por não conversar.
Sou aprendiz.
E é exatamente por isso que eu vivo em contradição. Isso é o que eu já sei.
O resto eu vou aprender devagarinho. Entre a tagarelice e a mudez.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Qualquer palavra para um título.


Fiz e refiz várias frases para começar esse post.
Tentei começar falando do meu sumiço, não gostei do que li. Depois, da internet lenta...vi que não era um bom começo para um post. Enfim, cheguei à conclusão que desaprendi a usar isso aqui! Falta de prática é uma merda. Não sei ser mais internauta de carteirinha. haha
O que eu tava com vontade mesmo, era de jogar umas palavras aqui, à esmo, sem (pseudo)intelectualidade; do jeito que elas aparecem na cabeça e vão ficando na tela pelos dedos ligeiros.
Tô bolada. É isso aí. Quero ter aula! Tem mais de um mês que eu não vejo a cara do professor de Teorias da Cultura (nem sei mais como o viado é). Aí, por mais irônico que pareça, não tá dando tempo de fazer os trabalhos que aparecem...ai ai, ridículo. (desculpa, viado foi a primeira palavra que veio).

Melancolias, chatices e reclamações à parte...eis que o Cara lá de cima me presenteia com essa gente do bem que tá me cercando! Muita pessoa que sou eu: são meus espelhos (planos ou côncavos); minhas mariolas mordidas; meus pedaços de nuvem...essas coisas que me fazem sorrir facilmente.
Ainda e sempre sinto saudade de muita gente. Tô aprendendo a lidar melhor com isso. Isso, da saudade. É inevitável e vital pro reecontro. A gente acaba administrando.

Também tô trabalhando a noite como garçonete em Cabo Frio. Que desgaste! Que diversão! Mais gente rara, muitos pedidos de casamento e experiência pra lista.
São essas coisas aí que nego diz que não tem preço...bem, no meu caso tem. 3,15 de passagem. Té que tá barato pra felicidade que eu ganho em dobro e com hora extra!


Foto minha e do Tom. Conversa espontânea. Meu mais novo irmão.
E agora que eu to com muito sono, depois de um dia cansativo, vou dormir pra ir pro Sana
amanhã...já que não tenho aula, eu tenho que aproveitar! haha



Esbarrei nas esquinas das minhas emoções
Com os pés atados na consciência
Acabei tropeçando, soluçando, empacotando
Todas as partes de mim
Que teimavam em exigir autonomia

Meus fragmentos me dominaram
E quando eu vi
Estava composta de restos:
Pedacinhos de minh'alma
Que se encontraram
E elaboraram no obscuro
Um jeito de me domar.

Arrebataram-me sem dó
E do medo da confusão
Eu não soube nem pensar.
Dei-me conta da bagunça
Aceitei, enfim
Quando eu vi
Que era o que de mais organizado
Havia em mim.

W. 04/11. Madruga.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

a novidade veio dar na praia!

Depois de um longo e tenebroso perrengue, aqui estou!
Rio das Ostras enfim chegou e saiu invadindo as minhas portas sem muito pudor, trazendo vários pássaros, pessoas e água do mar.
Penso sempre em muita coisa pra dizer, mas aí vem uma pequena misturinha de preguiça, reserva e dificuldade de colocar nas palavras o que acontece na cachola.
Aí, little friends, limito-me a INFORMAR-LHES (tô aprendendo na faculdade, Alexandre), que estou - adaptavelmente - feliz, surpresa e curiosa pro que tá acontecendo. Moro do lado da praia e isso me aproxima de muita coisa querida: coisas e pessoas.

Tenho sentido mais fome que nunca, para a surpresa dos meus convivas, e acho que vou acabar engordando! A culpa é do meu veteramigo Alô, que me indus à gula. Eu não consigo parar, alguém me ajuda, por favor.

Produção Cultural é de um encanto que...sei lá.
Obrigada, Ti, por falar da poesia. Eu nunca esqueço dela e acabo esbarrando contigo quando eu lembro: sempre.

Num é que neguinho já tá me sondando pra botar o gogó no mundo? Rapeize...
Quero palco, quero palco! Música e Cena!

Antes de ir embora, visita o blog do grupo? Tá bonito e pincelado de coisa nova.

Tô aí, olhando, porque a boca...ah, essa ainda não sabe contar!
Até!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

foi afim o fim de femana

Jack sendo "medusida"


Ficar de máscara na cara era curioso pra mim até sexta, quando passou a ser irritante - já que respirar pelo nariz era impossível e a boca estava abafada.
"Sinusite", ela me disse. A novidade veio com muitos remédios (nem tão novo assim). Mas isso é papo hipocondríaco, eu já tô melhor. O triste é ver o alarido da humanidade por uma coisa que ela mesma criou...

Sábado eu consegui a experiência mais traumatizante do ano: andei de kart. Sou ruim e fraca - o volante é muito duro! Tive que virar com as duas mãos por várias vezes. Além de correr com gente que já sabia, bater 3019357387875430984 vezes nos pneus, concedi o primeiro atropelamento do cara que ficava na pista! Definitivamente, os 15 minutos mais longos e torturantes da minha vida.
Isso não quer dizer que eu nunca mais volte lá.

No domingo, sorrisos do pai, histórias e almoço com a casa. Mais tarde, me rendi a dry beach com as meninas e Jeff. Não consegui abrir o olho pra tirar foto e o cabelo sempre teve vida própria, eu disse.
Foi bom. Precisava do sol no meu rosto e do mar, pra desentupir os póros e a alma.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

de mínima em mínima, o compasso enche a partitura.

Cresci ouvindo meus pais fazendo música. Felizes.
Minha primeira influência direta, fato.

Quando eu ia carregada às serestas dos coroas, criança, achava um saco. Ficava por ali brincando, roubando comida de vez em quando, ou com a mão no queixo, entediada. Mas eu sempre parava quando eles abriam o livrão e começavam com "Andança", "Boemia", "Carinhoso". Meu pai conversando com o violão, cantando seu baixo profundo que contrastava com minha sopraníssima mãe. Eu prestava atenção e vidrava. Eu amava cada movimento deles e adorava ver aqueles sorrisos à volta. Cantarolava baixo as músicas antigas (preciosas, como eu vim entender mais tarde), que eu já sabia de cor e salteado.

Da mesma forma, eles estavam desse jeito, cantando, juntos, na seresta, na missa ou no sofá de casa. E por quantas vezes já me fizeram marejar os olhos de emoção.

Hoje eu sei compartilhar essa felicidade, porque eu entendo e sinto.
É tão bom viver o céu dentro de casa!

(Super providencialmente, hoje é aniversário dele: parabéns pela vida, pai!)

Agora eu sei do que eu vou sentir mais falta quando eu me mudar: de uma segunda-feira à noite qualquer, preguiçosa, embalada pelos meus anjos; dessa felicidade gratuita, cúmplice e que não necessita explicações.



video

sábado, 25 de julho de 2009

Vermelho Escarlate

Começa com dor, uma dor pontiaguda, que incomoda mais que dói. Em seguida os peitos doem, a barriga incha. Daí vem o estresse, a raiva, "VAI TOMAR NO CU". Isso é até o segundo dia. No terceiro dia é a melancolia. Aí eu choro, às vezes. Eu odeio chorar. Mas eu tomo cerveja e como chocolate, muito chocolate. E engordo. Ontem eu gritei com a cara no travesseiro. Merda, vazou. Amanhã eu já tô legal. Depois de amanhã acabou.

Menstruação é foda.

sábado, 11 de julho de 2009

Cabelo raspadinho, estilo Ronaldinho.

Na frente da minha casa tem um salão de "beleza". Vez em quando fico observando aquele lugar, cheio. Um entra e sai de mulheres, geralmente com as mesmas roupas, falando dos mesmos assuntos, lendo as mesmas revistas. Nas poucas vezes em que eu entrei ali, me senti sufocada pelos olhares abismados/espantados/desejosos/sedentos por corte no meu cabelo, ou sufocada pelo cheiro de formol.
Nada contra cuidar do visual. Acho até bacana, um trato aqui, outro acolá. Mulher é vaidosa por natureza e precisa desses tipos de cuidado. Mas daí a ficar obcecada por pagar uma fortuna com escova de chocolate, marroquina, carabina, estriquinina, por um puxa-puxa de raíz, por um bife sangrando...isso é tortura! É demais pra minha cabeça.
Prefiro continuar com meus frizz, com meus cantinhos de unha sujos, gastar dinheiro com chocolate de comer, e deixar pra sofrer só as dores inevitáveis.
É hora de abolir outras escravidões.

Um brinde à natureza humana, tão bela por si só!